Centro de Belo Horizonte foi bairro mais rentável em 2024, oferecendo um retorno total de 36,6%
Quem investiu em imóveis em 2024 embolsou uma rentabilidade média de 19,1% ao ano, revela um estudo feito por pesquisadores do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV-IBRE) com o QuintoAndar. O retorno supera o patamar atual da Selic, de 14,25% ao ano.O resultado reflete a soma do rendimento estimado com o aluguel (6,2%) e da média de valorização dos imóveis no período (12,9%). “A análise desenvolvida sugere que o imóvel residencial é uma opção competitiva de investimento no contexto pós-pandemia”, afirma André Braz, economista do FGV-IBRE.O estudo identificou uma tendência de queda no valor real dos aluguéis por metro quadrado até meados de 2022, período marcado por condições econômicas adversas e menor demanda. A partir desse ponto, contudo, houve uma recuperação no valor real dos aluguéis nas capitais analisadas: São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte.
Em dezembro de 2024, o preço médio do aluguel atingiu R$ 47 por metro quadrado, um retorno de aproximadamente R$ 2.350 por mês para um apartamento de 50 metros quadrados ou de cerca de R$ 28 mil ao longo de 12 meses. Braz acredita que, se os juros se mantiverem altos, é provável que o mercado de aluguéis continue aquecido no Brasil. “Uma Selic elevada não estimula a compra de imóveis, e sim o aluguel, justamente porque o custo de financiamento aumenta muito”, explica.Com o fim da pandemia, o economista enxerga que muitas empresas que haviam adotado o modelo home office ou híbrido agora retornam ao trabalho presencial, o que também aumenta a procura por imóveis em grandes centros. “Tudo isso sustenta o crescimento da rentabilidade do aluguel”, destaca.
Por outro lado, os dados do QuintoAndar indicam uma tendência geral de queda no valor real de venda dos imóveis nos últimos anos. Considerando os três principais polos metropolitanos do País em 2024, o preço médio ofertado por metro quadrado está em torno de R$ 8,9 mil, o que representa um valor estimado de aproximadamente R$ 445 mil para um apartamento de 50 metros quadrados.
Esses valores são inferiores aos praticados em janeiro de 2020. Na época, o preço médio real era equivalente a R$ 12.370 por metro quadrado, ajustado pelo poder de compra atual. Um apartamento de 50 metros quadrados, por exemplo, era vendido por cerca de R$ 618 mil nos valores de hoje.
Braz pondera, no entanto, que cada cidade guarda as suas próprias particularidades. Olhando para Belo Horizonte, o estudo observou uma tendência diferente da registrada nas demais capitais: na capital mineira, houve um movimento de valorização real dos preços de venda a partir de 2021. Esse comportamento pode ser atribuído a fatores locais, como o estoque mais limitado de imóveis combinado com uma recuperação gradual da demanda.Além de mapear as capitais brasileiras, a pesquisa do FGV-IBRE com o QuintoAndar também comparou bairros de São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte. Quatro locais da capital mineira se destacaram como os mais rentáveis no período, oferecendo um nível acima de 30% ao ano em rentabilidade bruta do imóvel residencial. Foram eles: Centro, Santa Terezinha, Bandeirantes e Caiçaras.
Em São Paulo, o bairro campeão foi o Jardim São Luís, com um retorno total de 24,7% ao ano. Já no Rio de Janeiro, o destaque ficou com a Penha, que entregou uma rentabilidade de 20,5%.


