No primeiro semestre de 2026, o financiamento cobriu em média 64,8% do valor de apartamentos e 62,8% do valor de casas no Brasil, segundo a Trillia. Isso deixa uma entrada média acima de 35% do preço do imóvel, um patamar que exige planejamento financeiro mais longo do comprador antes de assinar contrato.
Financiamento Imobiliário no Brasil: Entrada Média Passa de 35% do Valor do Imóvel
O financiamento imobiliário no Brasil cobriu, em média, 62,8% do valor das casas e 64,8% do valor dos apartamentos comprados no primeiro semestre de 2026, segundo levantamento da Trillia, unidade de dados e analytics da B3. Na prática, isso significa que o comprador precisou entrar com mais de 35% do preço do imóvel em recursos próprios.
O dado ajuda a dimensionar o esforço financeiro exigido em um ambiente de juros elevados e maior seletividade bancária. A seguir, veja como o crédito imobiliário se comportou por tipo de imóvel, por região do país e dentro dos limites do Sistema Financeiro da Habitação (SFH).
O Que os Dados da Trillia Revelam Sobre o Financiamento Imobiliário
Segundo a Trillia (2026), unidade de dados e analytics da B3, o percentual médio financiado varia conforme o tipo de imóvel: 64,8% para apartamentos e 62,8% para casas. Isso deixa uma entrada média superior a 35% do valor total, um patamar que exige planejamento financeiro mais longo do comprador antes de assinar o contrato.
Esse recorte é relevante porque o percentual financiado impacta diretamente a viabilidade da compra. Um imóvel de R$ 500 mil financiado a 63%, por exemplo, exige cerca de R$ 185 mil de entrada, valor que muitos compradores levam anos para acumular.
Volume de Financiamentos Cresce, Puxado Pelas Casas
O Brasil registrou 507.299 imóveis residenciais financiados entre janeiro e junho de 2026, um crescimento de 6,6% em relação aos 475.748 do mesmo período de 2025. O avanço, porém, não foi uniforme entre os tipos de imóvel.
As casas puxaram o crescimento: foram 285.900 operações, alta de 11,8% na comparação anual. Já os apartamentos somaram 221.329 unidades financiadas, um avanço tímido de apenas 0,6%. A diferença sugere uma migração de demanda para imóveis horizontais, possivelmente influenciada por preço médio mais acessível e maior disponibilidade de estoque fora dos grandes centros.
São Paulo Concentra um Terço dos Financiamentos do País
O estado de São Paulo respondeu por 34,7% de todos os financiamentos residenciais do Brasil no primeiro semestre de 2026. A participação paulista é ainda mais alta no segmento de casas, com 39,6% das operações, contra 28,4% nos apartamentos.
No recorte por região, o Sudeste concentrou 48,7% de todas as operações do país, o que reforça o peso da região tanto na originação de crédito quanto no mercado formal de garantias imobiliárias.
SFH x SFI: Qual a Diferença e Qual Domina o Mercado
O Sistema Financeiro da Habitação (SFH) é a linha de crédito imobiliário regulada com taxas de juros mais baixas, voltada a imóveis dentro de um teto de avaliação definido pelo governo. Desde outubro de 2025, esse teto subiu para R$ 2,25 milhões, ampliando o número de imóveis elegíveis à modalidade.
No levantamento da Trillia, o SFH respondeu por 58% dos contratos de apartamentos e 63,4% dos contratos de casas no primeiro semestre de 2026. O Sistema de Financiamento Imobiliário (SFI), linha usada para imóveis acima do teto do SFH ou com condições mais flexíveis, ficou com 40% das operações de apartamentos e 32,9% das de casas. O home equity (modalidade em que o imóvel já quitado serve de garantia para um novo crédito) apareceu em 2,9% e 3,8% das operações, respectivamente.
A diferença entre SFH e SFI está principalmente no custo: o SFH costuma ter juros menores e recursos do FGTS disponíveis, enquanto o SFI aceita imóveis de valor mais alto e tem regras de renda e garantia menos restritivas.
O Que Isso Significa Para Quem Vai Financiar um Imóvel em 2026
Para o comprador, o recado dos dados é direto: reservar recursos para uma entrada de pelo menos 35% do valor do imóvel deixou de ser exceção e passou a ser a média do mercado. Isso muda o planejamento financeiro, especialmente para quem mira imóveis dentro do teto do SFH, onde a concorrência por crédito mais barato é maior.
Para corretores e imobiliárias, entender essa proporção ajuda a calibrar expectativas com o cliente logo na primeira conversa: um comprador que ainda não reuniu ao menos um terço do valor do imóvel em recursos próprios provavelmente precisa de mais tempo de preparação antes de partir para a negociação.
FAQ: Perguntas Frequentes sobre Financiamento Imobiliário
Qual percentual do imóvel o brasileiro financia em média?
Segundo a Trillia (2026), o brasileiro financiou em média 64,8% do valor de apartamentos e 62,8% do valor de casas no primeiro semestre de 2026. Isso deixa uma entrada média acima de 35% do preço do imóvel, paga com recursos próprios do comprador.
Qual é o teto de avaliação do SFH em 2026?
O teto de valor máximo de avaliação do imóvel para financiamento pelo Sistema Financeiro da Habitação é de R$ 2,25 milhões, valor em vigor desde outubro de 2025. Imóveis acima desse valor precisam recorrer ao Sistema de Financiamento Imobiliário (SFI).
Qual a diferença entre SFH e SFI?
O SFH oferece juros menores e permite uso do FGTS, mas só se aplica a imóveis até o teto de avaliação vigente. O SFI não tem limite de valor de imóvel e tem regras mais flexíveis, porém normalmente com taxas de juros mais altas.
Por que a entrada média para financiar imóvel subiu?
O aumento reflete o ambiente de juros elevados e a maior seletividade dos bancos na concessão de crédito imobiliário, o que reduz o percentual máximo financiável e exige mais capital próprio do comprador.
Qual estado financia mais imóveis no Brasil?
São Paulo lidera, respondendo por 34,7% de todos os financiamentos residenciais do país no primeiro semestre de 2026, segundo a Trillia. A participação é ainda maior no segmento de casas, com 39,6% do total nacional.
Conclusão
Os números do primeiro semestre de 2026 mostram um mercado de crédito imobiliário em crescimento, mas com exigência de capital próprio cada vez maior do comprador. Antes de sair procurando imóvel, vale simular diferentes cenários de entrada e conversar com um corretor ou correspondente bancário para entender qual modalidade de financiamento (SFH ou SFI) se encaixa melhor no seu caso.
Com informações de Forbes


