Veja como mudou a intenção de compra de imóvel em 2026 e por que o discurso de venda precisa se adaptar ao comprador de moradia.
Comprar imóvel para morar cresce, investir cai em 2026
A busca por imóvel para morar avançou entre os brasileiros que planejam comprar uma propriedade nos próximos seis meses. Nesse grupo, a fatia com esse objetivo subiu de 70% para 78%, enquanto o interesse em investir caiu de 30% para 22%, de acordo com a mais nova edição do Índice de Confiança do Mercado Imobiliário.
O levantamento foi feito pela Loft em parceria com a Offerwise e ouviu 1.400 pessoas em seis capitais brasileiras. Neste artigo você vai ver os números completos por cidade, entender o que está por trás dessa mudança de comportamento e como ela impacta a rotina de captação do corretor de imóveis.
O que a pesquisa revela sobre a intenção de compra
O Índice de Confiança do Mercado Imobiliário é uma pesquisa trimestral conduzida pela Loft em parceria com a Offerwise, hoje em sua sétima edição. Considerando todos os entrevistados das seis capitais pesquisadas, 15% afirmam que pretendem adquirir um imóvel no horizonte de seis meses.
Dentro desse grupo de compradores potenciais, a distribuição por finalidade mudou de forma expressiva no último trimestre:
| Finalidade da compra | Trimestre anterior | Edição atual |
|---|---|---|
| Morar | 70% | 78% |
| Investir | 30% | 22% |
A queda de oito pontos percentuais na intenção de investir, no mesmo período em que a busca por moradia sobe, indica um reposicionamento na forma como parte do público enxerga o imóvel dentro da própria estratégia financeira.
Por que a compra para moradia ganhou espaço
Segundo Fábio Takahashi, gerente de dados da Loft, o movimento não representa uma troca de perfil entre os compradores: a compra para uso próprio já era majoritária antes desse trimestre. O que mudou, na leitura do executivo, foi o espaço que o imóvel físico ocupa frente a outras aplicações financeiras na hora de decidir onde alocar recursos.
Em outras palavras, o comprador que já queria morar continua no mercado do mesmo jeito. Quem recuou foi uma parte de quem via o imóvel como opção de investimento e passou a considerar alternativas fora do tijolo, num trimestre em que outras aplicações ficaram mais competitivas.
Interesse em investir varia por cidade
Entre os compradores potenciais de cada capital, a proporção de quem aponta o investimento como objetivo não é uniforme:
| Cidade | Interesse em investir |
|---|---|
| São Paulo | 29% |
| Goiânia | 29% |
| Belo Horizonte | 28% |
| Brasília | 27% |
| Rio de Janeiro | 24% |
| Porto Alegre | 20% |
São Paulo e Goiânia lideram o interesse em investir, empatadas em 29%, num extremo que vai até Porto Alegre, com 20%. Entre quem ainda escolhe imóveis como investimento nessas seis praças, três fatores aparecem com mais peso: a percepção de segurança do ativo, a intenção de não deixar recursos parados em conta e a busca por diversificação de carteira.
Imóveis para locação seguem concentrados na renda mais alta
A pesquisa também mediu quantos entrevistados já possuem um imóvel disponível para aluguel hoje, independentemente da intenção de compra futura. No total da amostra, 16% dizem ter uma propriedade nessa condição.
Esse percentual, porém, está longe de ser uniforme entre as faixas de renda: chega a 44% entre os entrevistados de renda mais alta e cai para 22% no estrato de renda seguinte. A diferença expõe algo que os números de intenção de compra não mostram sozinhos: possuir um imóvel de locação, hoje, segue sendo um ativo concentrado nas famílias de maior renda, mesmo em um cenário em que o interesse geral em investir no setor está recuando.
O que os números significam para o corretor de imóveis
Para quem atua na ponta comercial, o dado mais relevante não é a queda no investimento isoladamente, mas o que ela muda na conversa com o cliente. Com 78% do público voltado à moradia, o argumento de venda que funciona melhor deixa de ser rentabilidade e passa a ser localização, infraestrutura do bairro, distância do trabalho e adequação ao momento de vida da família.
Isso exige do corretor uma leitura de mercado mais fina antes mesmo de marcar a primeira visita: saber se a região está com oferta aquecida ou resfriada, qual o ticket médio local e como posicionar o imóvel para esse comprador de uso próprio, que costuma negociar de forma diferente de um investidor. Ferramentas como a Noção de Mercado, da Avalion, entregam esse diagnóstico regional em segundos, com um indicador de temperatura de mercado e uma frase pronta para o corretor levar já formatada à conversa com o proprietário.
Perguntas Frequentes sobre a intenção de compra de imóvel em 2026
O que é o Índice de Confiança do Mercado Imobiliário?
É uma pesquisa trimestral feita pela Loft em parceria com a Offerwise, que mede a intenção de compra, venda e locação de imóveis entre a população de seis capitais brasileiras. A edição mais recente é a sétima e ouviu 1.400 adultos entre 21 e 30 de julho de 2026.
Quantos brasileiros pretendem comprar imóvel nos próximos seis meses?
Considerando o total de entrevistados nas seis capitais pesquisadas, 15% afirmam que pretendem comprar um imóvel no horizonte de seis meses.
Por que o interesse em imóvel como investimento caiu em 2026?
Segundo a Loft, o movimento reflete a concorrência do imóvel físico com outras aplicações financeiras, e não uma queda no interesse por moradia, que já era majoritário e ainda cresceu no período, passando de 70% para 78% entre os compradores potenciais.
Qual cidade tem mais interesse em investir em imóvel?
São Paulo e Goiânia lideram, empatadas em 29% dos compradores potenciais com objetivo de investimento. Na outra ponta está Porto Alegre, com 20%.
Quantos brasileiros têm imóvel para alugar?
No total da amostra, 16% dizem ter uma propriedade disponível para locação. Esse percentual sobe para 44% entre os entrevistados de renda mais alta e cai para 22% na faixa de renda seguinte.
Conclusão
O recuo do imóvel como investimento não muda o tamanho do mercado, muda o perfil de quem está nele. Com quase 8 em cada 10 compradores potenciais buscando moradia, o corretor que ajusta o discurso comercial para esse público, e chega à visita com dados sobre a região em vez de intuição, sai na frente na hora de fechar a captação.


