No mercado imobiliário, é comum dizer que trabalhamos com pessoas – os imóveis são apenas a consequência. Contudo, o próprio mercado, muitas vezes, não consegue se organizar ou coordenar para que essas relações humanas sejam baseadas em confiança e ética.
Um amigo, também atuante no setor imobiliário, foi a um evento voltado para corretores de imóveis. Um evento repleto de conteúdo interessante, troca de experiências e participação ativa de diversos profissionais da cidade. Ele levou sua equipe de corretores, valorizando o crescimento profissional de cada um, e retornou com a sensação de que havia contribuído tanto para o aprendizado do mercado quanto para o seu próprio.
Porém, algo inesperado aconteceu nas semanas seguintes. Os corretores que trabalhavam para ele começaram a receber e-mails de outro escritório da mesma cidade, eram convites para um café na estrutura desse concorrente. A situação gerou desconforto e uma inevitável comoção. Afinal, seria coincidência que esses convites surgiram justamente após o evento?
Esse amigo sentiu-se traído. Ele investiu em sua equipe, acreditou na importância de fortalecer o mercado local, e agora via seus próprios corretores sendo sondados de forma que ele considerava antiética. Para ele, esse tipo de abordagem coloca em risco os pilares essenciais de confiança entre os profissionais do setor. Como confiar, daqui em diante, que há ética entre aqueles que fazem parte do mercado? Como construir boas relações quando um evento, que deveria unir e promover a colaboração, termina em atitudes que parecem oportunistas?
Ele começou a observar a dinâmica do mercado com ainda mais cautela – e com um misto de frustração e desconfiança.
Agora, uma pergunta paira no ar:
Será que essa prática é ética?
Você gostaria que fizessem isso com você ou com sua equipe?
Esse tipo de atitude contribui para o fortalecimento do mercado ou enfraquece as relações entre os profissionais?